Jovem de MT passa por tratamento experimental para paraplegia em Rondonópolis

O jovem Kawan Vinnicyus Soares dos Santos, de 21 anos, é o primeiro paciente de Mato Grosso a receber tratamento experimental com polilaminina, proteína desenvolvida para estimular a regeneração de nervos em lesões medulares graves. O procedimento foi realizado no Hospital Regional de Rondonópolis, a 212 quilômetros de Cuiabá.

A substância foi criada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após mais de 25 anos de estudos na área de regeneração neural. A técnica consiste na aplicação direta da proteína na região lesionada da medula, com o objetivo de estimular o crescimento dos axônios e tentar restabelecer conexões nervosas.

Kawan ficou paraplégico após um acidente ocorrido em 14 de novembro de 2025. Ele seguia de motocicleta para o trabalho quando colidiu com um caminhão que teria invadido a preferencial. Com o impacto, sofreu perfuração nos dois pulmões e rompimento completo da medula entre as vértebras T8 e T9. Ele permaneceu oito dias internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, após receber alta, a família passou a buscar alternativas que pudessem contribuir para a recuperação.

FOTO:REPRODUÇÃO

O primeiro pedido de acesso ao tratamento foi negado, pois o protocolo inicial previa pacientes com até 72 horas de lesão. Posteriormente, o neurocirurgião Gabriel Chaves, de Rondonópolis, emitiu laudo indicando a necessidade do procedimento e se dispôs a acompanhar o caso. Como a lesão já estava na fase subaguda — também prevista na pesquisa — a documentação foi enviada à equipe responsável, que autorizou a aplicação da proteína.

O cirurgião José Felipe Horta Junior destacou que a seleção seguiu critérios técnicos rigorosos e classificou o procedimento como um marco para a saúde em Mato Grosso. Os resultados iniciais devem ser avaliados nos próximos meses por meio de exames e testes clínicos. Por se tratar de terapia experimental, a eficácia ainda depende de acompanhamento contínuo e validação científica.

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